Por Que a Entrada É Tão Importante no Financiamento?

A entrada é o valor pago à vista no momento da contratação de um financiamento. Ela funciona como uma garantia para o banco e reduz o valor total financiado — o que impacta diretamente o valor das parcelas e o custo total dos juros.

Quanto maior a entrada, menores são:

  • O valor financiado (principal)
  • As parcelas mensais
  • O custo total dos juros ao longo do contrato
  • O risco de ficar com patrimônio negativo (dever mais do que o bem vale)

Segundo o Banco Central, financiamentos com entrada acima de 30% apresentam índice de inadimplência 45% menor do que aqueles com entrada mínima. É por isso que os bancos oferecem taxas melhores para quem dá uma entrada maior.

Entrada Mínima Por Tipo de Financiamento

Cada modalidade de financiamento tem exigências diferentes de entrada. Veja os valores praticados em 2026:

Tipo de FinanciamentoEntrada MínimaEntrada Recomendada
Imobiliário (SFH/Caixa)20%30% a 40%
Minha Casa Minha Vida (Faixa 1)0% a 5%
Minha Casa Minha Vida (Faixa 2-3)10% a 20%20%
Veículo novo20%30% a 40%
Veículo usado30% a 40%50%
Motocicleta20%30%

Financiamento Imobiliário

No financiamento imobiliário, a maioria dos bancos exige entrada mínima de 20% do valor do imóvel. Isso porque o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) permite financiar até 80% do valor de avaliação.

Na prática, para um apartamento de R$ 350.000, a entrada mínima seria de R$ 70.000. Porém, os melhores bancos para financiamento imobiliário oferecem taxas significativamente menores para entradas de 30% ou mais.

O programa Minha Casa Minha Vida 2026 é a exceção: famílias da Faixa 1 (renda até R$ 2.640) podem financiar com entrada zero ou subsidiada pelo governo.

Financiamento de Veículos

Para financiamento de carro, a entrada mínima gira em torno de 20% para veículos novos. Para carros usados, os bancos geralmente pedem 30% a 40%, já que o bem desvaloriza mais rápido.

Se seu score é baixo, os bancos podem exigir entradas de 50% ou mais como forma de mitigar o risco.

Financiamento de Motos

No financiamento de moto, a entrada mínima costuma ser de 20%, mas é recomendável dar pelo menos 30% para evitar ficar "de cabeça para baixo" (devendo mais do que a moto vale após a depreciação dos primeiros meses).

Simulação: Impacto da Entrada no Custo Total

Vamos simular um financiamento imobiliário de um imóvel de R$ 400.000, com taxa de 9,5% a.a. e prazo de 30 anos (360 meses), usando a Tabela SAC:

EntradaValor FinanciadoParcela InicialTotal Pago (Juros)
20% (R$ 80 mil)R$ 320.000R$ 3.420R$ 484.000
30% (R$ 120 mil)R$ 280.000R$ 2.993R$ 423.500
40% (R$ 160 mil)R$ 240.000R$ 2.566R$ 363.000
50% (R$ 200 mil)R$ 200.000R$ 2.138R$ 302.500

A diferença entre dar 20% e 40% de entrada é de mais de R$ 120.000 em juros. Essa é a economia que muitas pessoas não calculam.

Como Juntar a Entrada Mais Rápido

1. Defina Uma Meta Clara

Calcule exatamente quanto precisa e em quanto tempo quer juntar. Use a fórmula simples:

Valor da entrada ÷ número de meses = valor mensal a poupar

Para R$ 80.000 em 24 meses = R$ 3.333 por mês (sem rendimentos).

2. Automatize a Poupança

Configure uma transferência automática para uma conta separada no dia seguinte ao recebimento do salário. O que não está disponível, não é gasto.

3. Use o FGTS

Para financiamento imobiliário, o FGTS pode ser usado como parte ou totalidade da entrada. Condições:

  • Mínimo de 3 anos de trabalho sob regime CLT (consecutivos ou não)
  • Não possuir outro financiamento ativo no SFH
  • Não ser proprietário de imóvel residencial na mesma cidade
  • Imóvel de até R$ 1,5 milhão (limite SFH)

Em 2025, o FGTS rendeu 7,35% ao ano (TR + 3% + distribuição de lucros), superando a poupança. Mesmo assim, usá-lo para a entrada costuma ser mais vantajoso do que mantê-lo rendendo, já que a economia nos juros do financiamento é muito maior.

4. Invista Com Liquidez

Enquanto junta a entrada, mantenha o dinheiro em aplicações de baixo risco e alta liquidez:

  • Tesouro Selic: Liquidez D+1, rendimento atrelado à Selic (atualmente em torno de 14,25% a.a.)
  • CDB de liquidez diária: Bancos digitais oferecem 100% a 110% do CDI
  • Fundos DI: Taxa zero em várias corretoras, rendimento próximo ao CDI

Evite poupança (rende menos) e investimentos de renda variável (risco de perda quando precisar resgatar).

5. Considere Renda Extra

Algumas formas de acelerar a poupança:

  • Freelancing na sua área de atuação
  • Venda de itens que não usa mais (móveis, eletrônicos, roupas)
  • Cashback e programas de pontos convertidos em dinheiro
  • Trabalhos temporários nos finais de semana

6. Renegocie Despesas Fixas

Revise assinaturas, planos de celular, seguros e serviços mensais. Uma economia de R$ 500/mês representa R$ 12.000 em dois anos — pode ser a diferença entre 20% e 25% de entrada.

Posso Financiar Sem Entrada?

Financiamento sem entrada (100% do valor financiado) é raro e caro. As opções existentes são:

  • Minha Casa Minha Vida Faixa 1: Subsídio que cobre praticamente toda a entrada.
  • Financiamento direto com construtora: Algumas construtoras oferecem parcelamento da entrada durante a obra, mas isso não é "sem entrada" — apenas dilui o pagamento.
  • Consórcios: No consórcio, não há entrada — você paga parcelas mensais e é contemplado por sorteio ou lance. Mas não há a liberação imediata do bem.

De modo geral, financiar sem entrada resulta em parcelas maiores, taxas de juros mais altas e um custo total significativamente maior. Sempre que possível, junte pelo menos a entrada mínima.

Erros Comuns ao Planejar a Entrada

  1. Esquecer dos custos extras: ITBI (2% a 3% do valor do imóvel), cartório, avaliação e seguro podem somar de 3% a 5% do valor do imóvel. Inclua esses valores no planejamento.
  2. Usar toda a reserva de emergência: Mantenha pelo menos 6 meses de despesas como reserva, separados da entrada.
  3. Não considerar a depreciação: Em veículos, um carro novo perde 15% a 20% do valor no primeiro ano. Se a entrada for muito baixa, você pode dever mais do que o carro vale.
  4. Aceitar a primeira simulação: Faça simulações em vários bancos — a diferença pode ser expressiva.

Perguntas Frequentes

Posso usar o FGTS como entrada do financiamento de carro?

Não. O FGTS só pode ser usado para financiamento de imóvel residencial, através do SFH. Para veículos, a entrada precisa vir de recursos próprios.

Quanto tempo demora para juntar a entrada de um apartamento?

Depende da renda e do valor do imóvel. Para um apartamento de R$ 300.000 com entrada de 20% (R$ 60.000), poupando R$ 2.500/mês com rendimento de 1% a.m., você juntaria o valor em aproximadamente 22 meses.

A entrada pode ser parcelada no financiamento imobiliário?

Não diretamente no banco. Porém, em compras na planta, muitas construtoras parcelam a entrada (geralmente 20% do valor) durante o período de obras, que pode durar de 24 a 36 meses.

Se eu der uma entrada maior, consigo uma taxa de juros menor?

Sim, na maioria dos casos. Bancos como Caixa e Itaú oferecem faixas de taxa diferentes conforme o percentual de entrada. Uma entrada de 40% pode reduzir a taxa em 0,5 a 1 ponto percentual ao ano em relação à entrada mínima de 20%.